sexta-feira, 3 de março de 2017

UFPA participa de pesquisa sobre o Programa Mais Médicos



Publicado na Revista Caros Amigos, Edição 236 /novembro 2016, p 32-34.

Pesquisa de Universidade Brasileiras mostra que o Programa Mais Médicos venceu a batalha contra seus detratores
e oferece saúde básica de qualidade.
O PROGRAMA Mais Médicos (PMM), instituído pela então presidente Dilma Rousseff dia 8 de julho de 2013, venceu o
fogo cruzado entre os que o defendiam arduamente e os que o detratavam sem dó e completou seus três primeiros anos
oferecendo o que é uma das questões mais valorizadas nas demandas sobre a saúde: cuidado na atenção básica e prevenção
a doenças em populações que vivem distantes de assistência médica em todo o Brasil. Os resultados são muito positivos e
mostram que é possível, sim, superar as adversidades inegáveis que o País vive e diminuir a sobrecarga no sistema de saúde
como um todo, garantem pesquisadores de um estudo nacional sobre o programa que tem no estado do Pará o maior
número de cidades como estudo de caso nas atividades de campo.

O “Projeto análise de efetividade da iniciativa Mais Médicos na
realização do Direito Universal à saúde e na consolidação das redes de
serviços de saúde” começou em 2014 e é coordenado pela Universidade
de Brasília (UnB) e, na segunda maior unidade da federação, pela
Universidade Federal do Pará (UFPA). Formado médico e pós-graduado
em Bioantropologia, o professor e coordenador da pesquisa no Pará,
Hilton Pereira da Silva, é enfático quando diz que “esta é a principal lição
que se pode aprender: é possível fazer atenção básica de qualidade, com
compromisso, com dedicação nos municípios do Brasil”. E quando se
refere à atenção básica, refere-se a cuidados imediatos que podem evitar
que um acometimento simples evolua para uma doença mais complexa;
refere-se ao controle de vacinação; refere-se à prevenção da gravidez na
adolescência e de doenças sexualmente transmissíveis; refere-se a
orientações sobre como lidar de forma saudável com a água, o esgoto, o
lixo e os animais domésticos. É atuando de forma eficiente nesta etapa
que se pode ajudar a população a ter mais qualidade de vida e diminuir a
sobrecarga sobre todas as outras fases da atenção à saúde, seja nas
próprias unidades de saúde, seja nos pronto-socorros e hospitais.
Dos mais de 14 mil médicos associados ao programa para atuar no país, 513 estão fincados nesta parte da Amazônia brasileira, oferecendo assistência primária a 110 dos 114 municípios do Pará. Para o estudo de caso, foram escolhidas oito cidades e, entre os critérios para escolha, esteve o fato de o município ter a menor razão entre médico e habitante e um número absoluto de médicos menor do que cinco, conforme dados do Conselho Federal de Medicina (CFM)/ Demografia Médica/2013, além de ser representativo do cenário rural e urbano da região. Assim, os nove bolsistas com formação na área da saúde coletiva estiveram nas cidades de Aveiro, Bujaru, Cachoeira do Arari, Curuá, Jacundá, Limoeiro do Ajuru, São Sebastião da Boa Vista e Tracuateua. Juntas, estas oito cidades somam uma população de mais de 200 mil pessoas, segundo os mais recentes dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). “Uma das coisas que mais me chamou atenção nesse processo foi a habilidade desses médicos de perceber a dinâmica local onde eles estavam inseridos, de perceber toda a cadeia política, administrativa e técnica das unidades de saúde do município”, destaca Hilton Pereira. O bioantropólogo diz que as entrevistas feitas junto a 21 pessoas de cada cidade – entre médicos, agentes de saúde, secretários de Saúde e pacientes – revelaram que os intercambistas têm um agudo senso de observação, perceberam desde as dificuldades logísticas e infra-estruturais das unidades até as necessidades das pessoas, que é o mais refinado. “Eles relatam que as populações carecem de alguém para conversar e interagir no cotidiano delas, dispostas a ouvir e não julgar suas casas e hábitos, de compreender a realidade que as leva a determinadas situações e ter um profissional de saúde com papel ativo nessa realidade”, descreve. Também foi notória a capacidade de os intercambistas fazerem um detalhado diagnóstico situacional, essencial para impulsionar mudanças estruturais. Ou seja, mais que definir com que doença se está lidando e tratar dela – o chamado diagnóstico nosológico –, os médicos se preocuparam em analisar o ambiente que pode ter contribuído para seu surgimento e atuar de modo a evitar que novos casos surjam,
transformando o paciente e sua família num agente de saúde também da sua comunidade. E como parte dessa atuação, os intercambistas também foram sensíveis à oferta de palestras e orientação em outros ambientes da cidade, como as escolas. Do contrário, trata-se a doença e, se as condições responsáveis pelo seu surgimento não forem mudadas, logo vai haver mais incidências, num círculo vicioso sem fim. Neste rumo de atuação, o que se notou foi uma providencial criação de vínculo entre médico e comunidade, o estabelecimento de laços de confiança capazes de nutrir a construção de hábitos saudáveis na localidade. A disposição para o trabalho em conjunto foi outra característica percebida pela equipe de pesquisadores entre os médicos intercambistas. De acordo com o trabalho realizado já por mais de anos, a inserção desses novos atores no sistema de saúde local significou um estímulo ao trabalho coletivo, numa integração com agentes comunitários de saúde, enfermeiros, dentistas, toda equipe fixada na região para bem da própria comunidade. “Esse nível de envolvimento nunca tinha acontecido nesses municípios e a prática de estar na localidade oito horas por dia durante a semana inteira”, compara Hilton Pereira. O mais comum é a presença de médicos a cada 15 dias; de médicos que trabalham por duas horas e vão embora. “A continuidade é fundamental na assistência básica, é um dos pré-requisitos para que as pessoas te reconheçam enquanto profissional dali e que o profissional reconheça as pessoas com as quais está lidando no cotidiano”, enfatiza Ariana Kelly Silva da Silva, bioantropóloga que faz parte do projeto pela UFPA, desenvolveu atividades de campo nas cidades de Limoeiro do Ajuru e Jacundá. Ela confirma exatamente o que o coordenador relatou: “A maioria das pessoas que foram entrevistadas responderam que o programa Mais Médicos é uma iniciativa interessante do governo federal, porque antes elas não tinham acesso a médicos em seus municípios e que os médicos agora lidam diariamente com elas, e isso seria um ganho”. Marta Giane Machado Torres, enfermeira mestranda em Saúde Coletiva pela mesma instituição acadêmica, ouviu
depoimentos muito semelhantes. “A população nunca viu um médico atender daquela forma. As pessoas estão muito, muito satisfeitas, já não esperam mais em filas, não têm que viajar longas horas de barco, pegar mais uma condução em seguida, andar na lama (até chegar a um posto de atendimento)”, descreve a secretária de Saúde do município de Bujaru, Aline Parijós, antecipa que assumiu o cargo apenas em maio de 2015, mas que, mesmo assim, pode afirmar com segurança que doenças simples e muito comuns reduziram significativamente de incidência, como a diarreia na infância. A cidade conta com cinco unidades básicas de saúde e recebeu quatro médicos intercambistas, três cubanos e um brasileiro. “Antes do programa nós tínhamos apenas dois médicos e que já haviam pedido transferência. Agora temos médico cumprindo carga horária, que vai até a casa das pessoas e se dispõe a ir às escolas fazer orientação. A quantidade alta de pessoas com diabetes e hipertensão também motivou bastante o trabalho de prevenção. O número de pedidos de internação só não melhorou porque tem aumentado vertiginosamente a quantidade de acidentes com moto”, descreve. Universidades públicas de outros estados fazem parte do projeto de pesquisa, entre eles Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Ceará. Um ventrículo da Amazônia O desafio da mobilidade é constante e característica da região amazônica, tanto para chegar da capital do Pará até a cidade onde será fixado o médico, quanto para quem já está na cidade e precisa se deslocar por qualquer motivo. Geralmente é necessário combinar de dois a três transportes de diferentes categorias e de longa duração, uma logística exaustiva não só para os pesquisadores, mas para os próprios médicos cubanos, que têm a obrigação de conjugar às suas atividades de assistência à saúde um curso noturno de qualificação por internet, tecnologia que também impõe algumas barreiras em áreas de tão difícil acesso físico ou virtual. E nem sempre essa conjugação de elementos
funciona a contento, porque ainda inclui fatores como variabilidade das marés, inconvenientes com as vias e transportes rodoviários ou especificidades de transporte aéreo. “Para você chegar (de Belém) a Limoeiro do Ajuru é preciso percorrer por rodovia a alça viária e depois tomar uma lancha (na cidade de Barcarena) até chegar ao município. Aos domingos, você só consegue sair com um barco fretado. Então, se alguém tem um problema mais grave de saúde, vai ter de pagar um barco pra ir até a cidade de Cametá, por exemplo, que é um município de referência, apesar de não ter grande infra-estrutura para um caso de um acidente vascular cerebral ou outros casos mais complexos”, explica Ariana. Outro exemplo é a cidade de Aveiro. Para ir da capital até lá é necessário viajar de avião até o município vizinho de Santarém, deslocar-se até o porto e seguir de barco ou lancha, num trajeto que pode levar mais de um dia para ser vencido. Em cidades cravadas no arquipélago do Marajó, como Jacundá, é necessário atravessar a Baía do Guajará de balsa ou navio durante algumas horas, desembarcar no porto Camará e seguir em transporte coletivo privado até o destino. O professor Hilton Pereira reitera que estas dificuldades são comuns em toda região Norte e muito semelhante ao que se nota em estados como o do Amazonas. Os intercambistas, por sua vez, também precisam se valer, em alguns casos, de voadeiras (lancha metálica com motor de popa) para chegar desde suas residências até os locais de atendimento e às escolas que dispõem de internet para dar andamento aos estudos que fazem parte do programa Mais Médicos. Para quem precisa de socorro médico, qualquer minuto é precioso. Se um paciente estiver em Bujaru e precisar de atendimento especializado ou pronto-socorro, tem a opção de viajar de balsa por vinte minutos até a cidade de Inhangapi e de lá seguir por estrada por quase uma hora até Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém. O mais comum, no entanto, é que precisem prosseguir até Marituba ou a própria capital, explica a secretária de Saúde, Aline Parijós, depois de já terem sinalização de leito garantido por parte do sistema administrado na capital paraense.
Até mesmo para executar uma pesquisa como esta há implicações econômicas da multimodalidade que poderiam inviabilizar sua realização, não fosse o compromisso em retratar esta realidade. Por ser mais complexa a logística, sua realização é mais cara. Além de ter de levar em conta a informalidade de muitos desses serviços, que criam barreiras para a comprovação de seu uso na hora da prestação de contas aos órgãos financiadores, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O modo de transporte encarece, explica Hilton Pereira, porque viajar de barco não tem o mesmo custo de viajar num micro-ônibus, num avião ou no mototáxi. E todos esses meios que serão utilizados em uma viagem precisam estar encadeados, ainda que nem sempre seja possível controlar determinadas variáveis naturais ou de caráter humano mesmo. “Enquanto é muito bom dizer que dispomos da Amazônia Legal, da biodiversidade, temos de levar em conta que isso nos impõe uma série de responsabilidades, entre elas justamente atender às populações que estão dispersas nos nossos rios, nas nossas várzeas, nos nossos parques nacionais, nas nossas áreas protegidas, nos nossos quilombos, as populações indígenas e assim por diante”, pondera Hilton Pereira. Levantamento divulgado pelo IBGE em 2010 indica que haviam 6,07 habitantes por quilômetro quadrado numa área de mais de um milhão de quilômetros quadrados, que é a do Pará, estado que sofreu plebiscito, em dezembro de 2011, para decidir se deveria ou não ser transformado em três. O cenário, concorda o coordenador da pesquisa no Pará, de fato não é favorável à ida de médicos para trabalhar no interior do estado, porque os profissionais costumam estar, por exemplo, isolados tanto geograficamente quanto socialmente de outros colegas da área, além das grandes lacunas na oferta de insumos para o bom desempenho de suas atividades. “Não é incomum acontecerem atos de violência (de familiares de pacientes) contra profissionais de saúde, que se veem em situações absolutamente insuperáveis. Tudo isso é parte do processo que a gente precisa vencer na região Norte, a assistência à saúde com condições”, reconhece Hilton Pereira, que, no entanto, também ressalta que a população não pode ser punida com a falta da atenção básica, que pode ser oferecida satisfatoriamente ainda que diante das adversidades, conforme comprova a pesquisa.
Críticas por água abaixo E diante de tantas críticas duras ao programa e especialmente aos médicos cubanos, tornou-se uma questão prioritária à academia saber se era possível oferecer a cobertura de saúde como estava sendo anunciado. Bastam algumas observações sobre documentos da própria classe médica brasileira sobre o programa para saber o quanto foi frontal o embate sobre o Mais Médicos. Em uma carta emitida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e assinada também pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs), do dia 4 de setembro de 2014, por ocasião do relatório sobre o primeiro ano de execução do programa, está registrada a posição crítica à iniciativa. Entre as queixas enumeradas, diz-se que “a população, especialmente a das regiões mais carentes, (está) vulnerável à ação de indivíduos sem o devido preparo e qualificação”. Ainda que a formação dos intercambistas seja duramente questionada por entidades da categoria médica, Hilton Pereira faz algumas ressalvas. O coordenador da pesquisa, que foi membro do grupo de acompanhamento do Mais Médicos do ponto de vista da formação, destaca que um dos requisitos para virem ao Brasil é terem o diploma de médicos, documentos que foram reconhecidos por todos os países por onde muitos dos cubanos já estiveram desenvolvendo atividades parecidas com as que realizam no Brasil, como Paquistão, Haiti, Venezuela e Colômbia. “Também a maioria deles tem formação, seja em nível de residência ou de mestrado em Saúde da Família, que não é o caso dos nossos profissionais”, acrescenta. Tentar colocar em xeque o programa com tal argumento nem combina com os resultados que têm sido obtidos. De acordo com os depoimentos dos secretários e secretárias de Saúde dos oito municípios, há um impacto significativo e positivo na situação epidemiológica das cidades e que é notória a queda substancial na demanda por internação hospitalar e na
sobrecarga de pronto-socorros. Por isso se dizem satisfeitos com o Mais Médicos. A continuidade do Mais Médicos ou a forma como isso se dará ainda são dúvidas pendentes de esclarecimento com o novo governo. A pesquisa ainda precisa cumprir sua etapa final de estudos nas localidades, completando três anos de avaliação do programa, ainda que regularmente estejam sendo apresentadas suas conclusões preliminares inclusive ao Ministério da Saúde. Além de garantir que o Mais Médicos cumpriu sua função, Hilton Pereira faz uma emenda: o ideal é que as ações desenvolvidas pelos médicos cubanos e outros estrangeiros possam ser desenvolvidas por profissionais brasileiros. E aqui está outro nó da questão, que é o tipo de formação necessária para este trabalho. “A partir da minha experiência, já tendo passado pela formação médica e ajudado a formar algumas gerações de médicos, tenho acompanhado ativamente a discussão curricular no Brasil e nossos currículos ainda não estão voltados para a atenção básica”, observa. É aí que levam vantagem os cubanos e demais estrangeiros: a maioria tem residência ou mestrado em saúde da família. Por isso não devem ser dispensados pelo governo, interrompendo um processo de assistência que depende de continuidade para consolidar uma mudança estrutural no fluxo do sistema de saúde, conforme enfatiza o professor. O custo de um intercâmbio também não é favorável à economia do País contratante, mas ainda assim é preciso respeitar as mudanças de médio e longo prazo que podem ser alcançadas, especialmente se o programa está dando certo. “Não é à toa que você chama de médico de família, porque ele faz o acompanhamento de gerações e cria laços de confiança. Se a cada interregno você muda esse profissional, vai ter de esperar novo período de readaptações, tempo para conhecer todo mundo, mapear todo mundo, ver como é sua relação com a equipe de saúde e com a comunidade. Essas coisas precisam ser muito cuidadosamente pensadas, para que a gente não tenha algo que comece, acabe e não tenha sequência”, alerta Hilton Pereira, que lembra um bordão muito comum no
Estado: “Eu espero muito que não sejamos a terra do ‘já teve’, como se costuma dizer aqui, porque a ação já mostrou que é eficiente tanto no nosso, quanto nos outros estados”. Apesar das peculiaridades amazônicas, os resultados obtidos até então são muito semelhantes aos que se chegou de um modo geral com a sistematização de informações colhidas nas demais regiões. Resta aguardar para saber como o programa será conduzido pelo governo Michel Temer daqui pra frente e de que modo suas políticas irão impactar o setor de pesquisa, fundamental para orientar a decisões e condutas de gestores públicos. 

ÉRIKA MOHRY É JORNALISTA

Fonte: http://ifch.ufpa.br/index.php/destaques/2953-programa-mais-medicos

terça-feira, 15 de novembro de 2016

VÍDEO DA EQUIPE PARÁ É SELECIONADO PARA MOSTRA DE FILMES

Vídeo sobre experiências de pesquisadores e profissionais do Projeto Mais Médicos feito pela equipe do Pará foi selecionado para participar da mostra de filmes do II EAVAAM (www.eavaam.com.br/#mostra_de_filmes).
O filme foi exposto na Mostra paralela de filmes Etnográficos, a exibição ocorreu no dia 27/10/2015 no auditório do ICEN às 14h com moderação do aluno Rafael Cabral.

O filme está disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=3_yr56apnTE


sábado, 29 de outubro de 2016

Publicações recentes

O Projeto "Análise da efetividade da iniciativa Mais Médicos na realização do direito universal à saúde e na consolidação das Redes de Serviços de Saúde" (MCTI/CNPq/CT-Saúde/MS/SCTIE/Decit Nº 41/2013), após as primeiras etapas de coleta de dados em campo avança  em relação à divulgação dos resultados obtidos. Nesse sentido, mais algumas publicações saíram recentemente, entre elas os artigos  

Jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense: o que dizem sobre o programa mais médicos? 
Disponível em: 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0080-62342014000800107&script=sci_arttext&tlng=pt

Autores: Indyara de Araujo Morais  , Dábyla Fabriny Batista de Alkmin  , Jéssica de Souza Lopes  , Marina Menezes de Santos  , Mariane Sanches Leonel  , Rodrigo Silvério de Oliveira Santos  , Weverton Vieira da Silva Rosa  , Ana Valéria Machado Mendonça  , Maria Fátima de Sousa

Resumo: Analisa as publicações relacionadas ao Programa Mais Médicos de julho a setembro de 2013 e sua repercussão no Correio Braziliense e Folha de São Paulo. Trata-se de um estudo descritivo que utilizou de metodologia qualiquantitativa. Os dados analisados e relacionados representam o que o Programa assume na mídia impressa. Foram encontradas 363 publicações, sendo 262 na Folha de São Paulo e 101 no Correio Braziliense. A palavra “Médicos” mais apareceu nos títulos, e na Folha de São Paulo foram 110 dos títulos negativos; no Correio Braziliense o caráter neutro esteve em 50 das publicações. No caráter da notícia, 178 destas são pessimistas. As “neutras” representaram 101 e as “otimistas” 83. Verificou-se que a mídia é fundamental para a repercussão do Programa, mas não transparece a verdade, mas a opinião de jornalistas que escreveram as notícias relacionadas ao tema.


Projeto mais médicos para o Brasil: estudos de casos em comunidades quilombolas
Disponível em:
http://saudepublica.bvs.br/pesquisa/resource/pt/sus-30808


Resumo: O Projeto Mais Médicos para o Brasil tem como objetivo o provimento de profissionais brasileiros e estrangeiros para atuar em municípios de difícil acesso e acentuada vulnerabilidade socioeconômica, e estabelece os grupos quilombolas como uma das prioridades. Este artigo analisa de que forma o Projeto tem contribuído para a atenção primária à saúde em comunidades quilombolas do Nordeste e do Norte do país, por meio de uma investigação qualitativa em duas comunidades no Rio Grande do Norte e uma no Pará. Foram realizados grupos focais com usuários de Unidades Básicas de Saúde e entrevistas semiestruturadas com médicos, profissionais de saúde das equipes das Unidades Básicas de Saúde, gestores das Secretarias Municipais de Saúde, conselheiros municipais de saúde e lideranças locais. Conclui-se que o Mais Médicos contribuiu na garantia do acesso à saúde nas comunidades estudadas. A permanência dos médicos nos municípios possibilitou a realização de ações de prevenção e promoção da saúde e o estabelecimento de vínculo com os usuários. (AU)

Mais Médicos program: provision of medical doctors in rural, remote and socially vulnerable areas of Brazil, 2013–2014

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27020757


Autores: Pereira LL, Santos LM, Santos W, Oliveira A, Rattner D.

Abstract

INTRODUCTION:

The Mais Médicos program was introduced in 2013 with the aim of reducing the shortage of doctors in priority regions and diminishing regional inequalities in health. One of the strategies has been to offer 3-year contracts for doctors to work in primary healthcare services in small towns, inland, rural, remote, and socially vulnerable areas. This report describes the program's implementation and the allocation of doctors to these target areas in 2014.

METHODS:

To describe the provision of doctors in the first year of implementation, we compared the doctor-to-population ratio in the 5570 municipalities of Brazil before and after the program, based on the Federal Board of Medicine database (2013), and the official dataset provided by the Ministry of Health (2014).

RESULTS:

In its first public call (July 2013) 3511 municipalities joined the Mais Médicos program, requesting a total of 15 460 doctors; although the program prioritizes the recruitment of Brazilians, only 1096 nationals enrolled and were hired, together with 522 foreign doctors. As a consequence, an international cooperation agreement was set in place to recruit Cuban doctors. In 12 months the program recruited 14 462 doctors: 79.0% Cubans, 15.9% Brazilians and 5.1% of other nationalities, covering 93.5% of the doctors demanded; they were assigned to all the 3785 municipalities enrolled. The study reveals a major decrease in the number of municipalities with fewer than 0.1 doctors per thousand inhabitants, which dropped from 374 in 2013 to 95 in 2014 (75% reduction). Of the total, 294 doctors were sent to work in the country's 34 Indigenous Health Districts (100% coverage) and 3390 doctors were deployed in municipalities containing certified rural maroon communities (formed centuries ago by runaway slaves). After 1 year of implementation, the municipalities with maroon communities with less than 0.1 doctors per thousand inhabitants were reduced by 87% in the poorest north region. More than 30% of municipalities with maroon communities in the richest regions had more than 1.0 doctors per thousand inhabitants, whereas in the poorest regions fewer than 7% of municipalities reached that level. CONCLUSIONS: The Mais Médicos program has granted medical assistance to these historically overlooked populations. However, it is important to evaluate the mid- and long-term sustainability of this initiative.

KEYWORDS:

Health Needs Assessment; Health Promotion; Health Scientist; Indigenous Health Worker; Medical; Primary Health Care; Public Health; Researcher; South America; Workforce

Outros artigos, teses  e dissertações já foram submetidos ou estão em fase de preparação e serão disponibilizados aqui tão logo tenham sido publicados.




segunda-feira, 27 de junho de 2016

Projeto Multicêntrico realiza sua segunda etapa de campo com sucesso no Pará


Projeto Multicêntrico realiza sua segunda etapa de campo com sucesso no Pará
No período de janeiro a março de 2016, foi realizada mais uma etapa do projeto Multicêntrico “Análise da efetividade da iniciativa Mais Médicos na realização do direito universal à saúde e na consolidação das Redes de Serviços de Saúde”, coordenado no Pará, pelo profº Dr. Hilton P. Silva (UFPA) e nacionalmente pela profª Dra. Leonor Pacheco (UNB). Neste ano, os municípios de Aveiro, Bujaru, Cachoeira do Arari, Curuá, Jacundá, Limoeiro do Ajuru, São Sebastião da Boa Vista e Tracuateua foram revisitados pelos pesquisadores da UFPA para a realização de novas entrevistas com os médicos do PMM, gestores, profissionais de saúde e usuários desses municípios. Os roteiros de entrevistas sofreram pequenas adequações em relação ao ano passado, visando clarificar algumas perguntas.
Uma das peculiaridades do trabalho de campo na região amazônica é a dificuldade de acesso a alguns municípios, muitas vezes sendo necessário utilizar mais de um tipo/modo de transporte para chegar ao destino. Por exemplo, para chegar ao município de Aveiro é necessário viajar de avião até o município vizinho de Santarém, se deslocar até o porto da cidade de taxi ou mototaxi e de lá seguir via barco ou lancha para Aveiro. Dependendo dos modos transporte disponíveis nos dias da viagem, o trajeto todo pode levar mais de um dia. Para Curuá também se usa diversos veículos: avião, mototaxi, lancha ou barco. Já para os municípios localizados no Arquipélago do Marajó, é necessário atravessar a Baía do Guajará de balsa ou navio, enfrentando muitas vezes águas turbulentas por várias horas. Para Cachoeira do Arari, por exemplo, é necessário atravessar a baía, desembarcar no porto Camará e de lá seguir em transporte coletivo privado (Van) até o destino. Para o município de Jacundá, a viagem de ônibus dura cerca de 7h, sendo que a condição da estrada é geralmente precária. Para Limoeiro do Ajuru, é necessário viajar de ônibus até o município de Barcarena, se deslocar para o porto da cidade de mototaxi e de lá seguir via lancha para Limoeiro, sendo um desafio sincronizar os diversos veículos, pois a lancha não está disponível todos os dias da semana. Já para os municípios de Bujaru e Tracuateua o percurso não é tão complicado, sendo necessário somente a viajem de ônibus, que pode durar entre 3 e 8 horas. Porém, ao longo desse percurso podem ocorrer diversos problemas como panes no ônibus, em função da má condição da estrada, e espera incerta da balsa para atravessar um rio em frente a Bujaru, pois esta faz a travessia apenas de hora em hora, e algumas vezes quebra no trajeto.
As equipes este ano foram compostas pel@s pesquisador@s Ariana Kelly Leandra Silva da Silva, Camila Maísa Santos Monteiro, Edmir Amanajás, Marta Giane Machado Torres, Pérola Negra Guimarães dos Santos, Rafael Cabral, Roseane Bittencourt Tavares e Silbênia Tânia Ribeiro. @s pesquisador@s permaneceram cerca de uma semana em cada município, considerando o deslocamento, as atividades de coleta de dados e a transcrição das entrevistas, trabalho iniciado ainda no local. A pesquisa necessitou de extensa permanência em campo, devido aos longos deslocamentos dentro dos municípios, pois geralmente as unidades de saúde visitadas ficam muito distantes dos centros das cidades, e também pelas dificuldades de contato com os entrevistados, pois em alguns locais não há acesso regular a telefone ou internet. Esses deslocamentos internos também aconteceram de várias formas: de carro, moto, a pé e até mesmo de rabeta. Como qualquer pesquisa envolvendo trabalho de campo, sempre surgem problemas e imprevistos como dificuldades de comunicação com os responsáveis locais, atrasos na chegada ou saída dos transportes, dificuldades de encontrar alojamento adequado, adoecimentos de pesquisador@s pelas precárias condições sanitárias, desconfiança inicial dos gestores e profissionais sobre os objetivos do Projeto (especialmente em ano eleitoral), mas que foram solucionados sem prejuízos aos trabalhos. Além das entrevistas, @s pesquisador@s também registraram as atividades por meio de fotos e vídeos.
Queremos registrar nossos agradecimentos aos gestores municipais, médicos, profissionais e usuários que acolheram e estiveram, geralmente, dispostos a atender as equipes e participar de todas as etapas da pesquisa, contribuindo voluntariamente para que o PMMB e o SUS sejam adequadamente conhecidos e avaliados em nosso Estado.
A seguir uma síntese desta etapa nas imagens e palavras dos participantes.



Aveiro
Fonte: LEBIOS (2016)

Equipe de Aveiro
Fonte: LEBIOS (2016)



Médico de Jacundá

Fonte: LEBIOS (2016)

Jacundá
Fonte: LEBIOS (2016)


Médicas de Cachoeira do Arari
Fonte: LEBIOS (2016)

Cachoeira do Arari
Fonte: LEBIOS (2016)

Médico de SS Boa Vista

Fonte: LEBIOS (2016)

São Sebastião da Boa Vista
Fonte: LEBIOS (2016)


Médica de SS da Boa Vista

Fonte: LEBIOS (2016)

Tracuateua
Fonte: LEBIOS (2016)

US de Tracuateua
Fonte: LEBIOS (2016)

 US de Curuá
Fonte: LEBIOS (2016)



Bujaru
Fonte: LEBIOS (2016)

US de Bujaru

Fonte: LEBIOS (2016)


US de Limoeiro do Ajurú
Fonte: LEBIOS (2016)

Limoeiro do Ajurú
Fonte: LEBIOS (2016)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Equipe do Pará prepara nova etapa da pesquisa no Estado

Neste início de 2016, enquanto os trabalhos de análise dos dados coletados nacionalmente no ano passado prosseguem e novas publicações são desenvolvidas, as equipes do projeto "Análise da efetividade da iniciativa Mais Médicos na realização do direito universal à saúde e na consolidação das Redes de Serviços de Saúde" começam sua preparação para voltar a campo e coletar os dados da segunda fase da pesquisa nacional.
A equipe do Pará esteve reunida no dia 19 de janeiro no Laboratório de Estudos Bioantropológicos em Saúde e Meio Ambiente da UFPA (LEBIOS) para fazer uma análise da primeira fase, revisar os instrumentos da pesquisa, discutir a logística das viagens e planejar a retomada das atividades de campo.
Equipe em reunião
FONTE: Arquivo Lebios (2015)
Entre janeiro e março, quatro equipes, com dois pesquisadores de campo cada, se deslocarão novamente aos municípios de Aveiro, Bujarú, Cachoeira do Ararí, Curuá, Jacundá, Limoeiro do Ajurú, São Sebastião da Boa Vista e Tracuateua para conhecer mais detalhes sobre o funcionamento do Projeto Mais Médicos no Estado e suas implicações para a saúde da população, e contribuir, assim, para a avaliação multicêntrica nacional.
Equipe do Projeto
Hilton, Raphael, Pérola, Edmir, Martha, Tania, Camila, Ariana e Roseane
FONTE: Arquivo Lebios (2015)

Já como um dos resultados da primeira fase, foi criado um documentário em curta metragem sobre as impressões iniciais da pesquisa e a experiência dos pesquisadores do Pará. O material, dirigido por Rafael Cabral, está disponível em:

domingo, 18 de outubro de 2015




 



Equipe Realiza Treinamento para a Análise de Dados Qualitativos em Belém
Nos dias 1 e 2 de outubro de 2015, o LEBIOS (Laboratório de Estudos Bioantropológicos em Saúde e Meio Ambiente/CNPq) da UFPA, recebeu as pesquisadoras Lucélia Pereira e Yamila Comes, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB) para a promoção de um treinamento referente às análises qualitativas dos dados do Projeto ‘Análise da efetividade da iniciativa Mais Médicos na realização do direito universal à saúde e na consolidação das Redes de Serviços de Saúde’, o qual tem como coordenador da região norte, o prof. Dr. Hilton Pereira da Silva, do LEBIOS/UFPA.
O treinamento teve início no dia 1o quando foi realizada uma oficina sobre o software Atlas-ti a ser utilizado para as análises de conteúdo dos dados do projeto referentes a todos os médicos entrevistados no país. As pesquisadoras da UNB apresentaram detalhadamente os recursos oferecidos pelo software e demonstraram como analisar os dados. Ao longo do dia foram feitas simulações e discussões das estratégias analíticas e foram definidos alguns códigos para a análise de conteúdo.
No dia 2 de outubro, as colaboradoras deram início às análises e aproveitaram o momento para esclarecer dúvidas referentes ao uso do software junto a equipe de Belém. Participaram também da oficina a bolsista do projeto Roseane Bittencourt e a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade na Amazônia (PPGSAS)Raphaella Santos Loureiro. Em conclusão das atividades, no período da tarde, as pesquisadoras da UNB realizaram uma palestra sobre o Programa Mais Médicos e seus impactos na Atenção Básica no Brasil para os alunos do PPGSAS e do PPGA (Programa de Pós-graduação em Antropologia). Na palestra, elas apresentaram alguns dos resultados preliminares obtidos pelo projeto em nível nacional, e puderam responder a questionamentos e dialogar com os presentes sobre o projeto de pesquisa e sobre o Programa Mais Médicos.
A próxima etapa de coleta de dados nos municípios selecionados em todo o país ocorrerá nos meses de janeiro e fevereiro de 2016. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Publicações do Projeto Multicêntrico

O projeto multicêntrico avança em suas pesquisas, alguns dos primeiros artigos resultantes do projeto já estão disponíveis para leitura juntamente com o artigo da Revista da ABPN que já foi disponibilizado no post anterior aqui no blog.

Um deles está disponível da Revista Ciência e Saúde Coletiva intitulado "Programa Mais Médicos: uma ação efetiva para reduzir iniquidades em saúde" de autoria da Profa. Leonor Maria Pacheco Santos, Ana Maria Costa e  Sábado Nicolau Girardi.

Disponibilizamos aqui no blog o resumo do trabalho que pode ser acessado pelo Link:

Resumo
O Programa Mais Médicos objetiva diminuir a carência de médicos e reduzir as desigualdades regionais em saúde e envolve  três  frentes  estratégicas:  i)  qualificação  profissional,  com  abertura  de  vagas  em  Cursos  de  Medicina orientados  por  novas  Diretrizes  Curriculares;  ii)  investimentos  na  construção  de  Unidades  Básicas  de  Saúde;  iii) provimento de médicos brasileiros e estrangeiros. O programa efetuou, até julho de 2014, o provimento de 14.462 médicos  em  3.785  municípios  com  áreas  de  vulnerabilidade.  Evidências  indicam  redução  em  53%  no  número  de municípios  com  escassez  de  médicos;  na  região  Norte  91%  dos  municípios  que  apresentavam  escassez  foram atendidos, com quase cinco médicos cada, em média. A integração dos profissionais nas Equipes de Saúde da Família fortaleceu  e  expandiu  a  capacidade  de  intervenção,  especialmente  na  perspectiva  da  adoção  de  um  modelo  de atenção que englobe as diferentes demandas de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças e  agravos,  para  enfrentar  o  desafio  da  dupla  carga  de  doença.  Prevalecem  na  população  a  obesidade  e  doenças crônicas  não  transmissíveis,  lado  a  lado  com  as  enfermidades  infecciosas,  parasitárias  e  carências  nutricionais remanescentes. O povo das cidades, do campo e da floresta quer mais médicos e mais perspectivas de saúde e de justiça social.


Outro artigo publicado é de autoria de  Sindy Maciel Silva e Leonor Maria Pacheco Santos intitulado "Estudo das ações diretas de inconstitucionalidade do programa mais médicos" disponível em: http://www.cadernos.prodisa.fiocruz.br/index.php/cadernos/article/view/154


RESUMO

O Programa Mais Médicos foi implantado sob a perspectiva de garantir a efetividade jurídica e social do direito à saúde. Ele integra um conjunto estratégico de ações para melhoria do atendimento aos usuários do SUS através de investimentos em infra-estrutura de unidades de saúde e da inserção de profissionais médicos nas regiões de grande vulnerabilidade social e sanitária. O objetivo deste estudo é analisar as duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade proposta junto ao STF, seu conteúdo e posições jurídico-doutrinárias dos atores envolvidos. O método utilizado foi de revisão bibliográfica de literatura acadêmico-científica, de documentos públicos e da legislação brasileira específica. Os resultados mostram que a política pública obedece aos preceitos constitucionais e apresenta-se como instrumento indispensável de eficácia social ao direito à saúde para as regiões prioritárias atendidas. Apontam também a necessidade de garantir uma maior integralidade na assistência e para isso sugere a implantação de um plano de carreira e salário para os médicos e todos trabalhadores do SUS, a realização de reformas no ensino médico e a realização de discussões não unicamente sobre mais médicos e sim a respeito de mais saúde para todos.